sexta-feira, 11 de março de 2011

Lanices

      Só de procurar o Word na lista de programas do computador pra começar a escrever, já tô sentindo vergonha. Gostaria muito de ter uma desculpa convincente pra apresentar a mim mesma e assim justificar o motivo de tanta demora entre um post e outro, mas não tenho. É lamentável! Eu gosto de escrever, estou com tempo disponível pra fazer isso, sempre penso em um monte de assuntos pra falar aqui, mas acabo não fazendo nada e os assuntos vão passando.
      Alguns dias me esqueço do blog, confesso. Coincidência ou não, justamente nestes dias eu recebo mensagens de pessoas inesperadas fazendo algum comentário legal sobre o meu blog. Nas últimas semanas, quem comentou foi uma amiga e dias depois um amigo. Não tinha contato com nenhum dos dois há muito tempo, e jamais imaginaria que eles passeassem por aqui. Fiquei super feliz, é mesmo uma coisa muito gostosa receber comentários sobre as coisas que eu escrevo. Mas daí só fico com mais vergonha pela demora! E eu não quero ninguém dando justificativas por mim, hein...
      Ontem a noite tive uma insônia das BRABAS. Resolvi não tomar toda a dosagem que eu deveria dos medicamentos que ando tomando porque fico muito grogue no dia seguinte, e deu no que deu. E além da insônia total, pra ajudar, eu tava mega agitada. Quando isso acontece, fico impossível. Não consigo parar quieta em lugar nenhum, mas o pior mesmo é a minha cabeça. Eu penso penso penso penso penso penso penso sem parar, e um moooooooooonte de coisas ao mesmo tempo. Ontem consegui me segurar na cama até umas 4 da manhã (o que foi MUITA coisa!). O-DEI-O  deixar o Henrique na cama sozinho. Mas ontem não agüentei. Levantei e vim pro sofá, acendi o abajurzinho vermelho e voltei a ler meu livro. Estou lendo “O Diário de Anne Frank” agora. Como é impossível eu pensar numa coisa só, enquanto lia comecei a pensar nessa história do blog, de eu demorar pra escrever, e pensei que isso é bem uma lanice. Não significa que outras pessoas não façam isso e eu seja a única, não. É até bom eu dizer isso, porque aproveito e defino o que é uma lanice.
      Lanices são pensamentos, atitudes, opiniões, gostos, comportamentos que em separado não tem nada de incomum e nem são anormais. Várias pessoas se identificam e também tem alguns deles. Mas eles passam a se tornar “lanices” quando fazem parte do todo que me define, que me faz ser como sou. E vou falar uma coisa: eu gosto de várias das minhas lanices! Melhor ainda, me divirto com várias delas, dou risada de mim mesma. Acho que isso é bom, não é? Me falaram que é. Mas não gosto de todas, não.
     O título desse blog é “Dona Lana e suas lanices...”. Os posts anteriores foram todos com cara de dona Lana, eu acho. Pois então hoje resolvi contar sobre algumas das minhas lanices. Na verdade foi de madrugada que eu tive essa idéia. Como eu NUNCA me lembro das boas idéias que tenho na madrugada, fui anotando no bloquinho de notas do meu celular algumas das lanices que me vieram à cabeça, só pra eu não esquecer. Outras, tenho certeza que vou colocar à medida que escrevo. E em posts futuros (sim, porque eu continuo acreditando que tomarei jeito algum dia) colocarei mais e mais lanices. Posso repetir algumas delas, mas isso é uma lanice, também.
      Pois bem, vamos às lanices!

      *   Sou extremamente desastrada e me atrapalho com coisas muito pequenas. Às vezes vou pegar uma bacia debaixo da pia e ela não tem nada em cima, mas eu consigo derrubar o que tá em baixo. Acho que dá pra imaginar o que acontece quando vou pegar uma panela que está bem no meio da pilha, com outras panelas embaixo e outras em cima... Todo mundo se assusta com o barulho, mas eu já tô acostumada. Mas não são só coisas barulhentas que caem da minha mão não, eu consigo me atrapalhar com um envelope, uma chave, uma blusa. Acho incrível.

*   Na maioria dos dias que o Henrique chega em casa, eu estou na cozinha adiantando a janta. Quando ele chega sou tomada por uma imensa alegria e euforia, o que diminui ainda mais a minha pouca coordenação e faz com que eu derrube e bata tudo que eu tinha conseguido não derrubar e bater até então. Ele nunca me disse isso, mas percebo no olhar dele que lá dentro ele se pergunta o que deve acontecer com a casa quando ele está fora...

           *    Dentro do tópico “desastres”, está também o fato de eu ter zero noção corporal e espacial. Isso significa que eu não tenho noção da dimensão do meu corpo, e essa falta de noção resulta em roxos quase que diários desde a perna até em partes mais difíceis de compreender, como por exemplo, meu ombro. Uma vez, tive a capacidade de bater com tudo meu tornozelo numa quina de parede. Fiquei pensando em quanta habilidade eu precisei pra enfiar justo esse ossinho (que no meu caso nem é muito saliente) na parede... Coisas como bater a cara no vidro ao olhar pela janela que eu mesma fechei, prender minha mão na porta do armário ao fechar e outras assim são corriqueiras, então nem contam. Outro dia fui sentar na cama com meu laptop, e a cama acabou. Óbvio que fui parar no chão e como o espaço da cama até a parede é pequeno, fiquei em formato de V. O Henrique morreu de rir ao ver só os meus pés pra cima. Já a minha falta absoluta de noção espacial faz com que eu não tenha capacidade de compreender quantidades como centímetros, metros, e por aí vai. Quando alguém me diz que algo tem 3 metros, não tenho noção alguma do tamanho disso. 3 centímetros até tenho, pque sei que é algo pequeno. Se entrar em metro quadrado então, só piora. Se me falarem que um quarto tem 2x2 ou 20x20 entendo que o de 20x20 é maior, mas continuo tendo zero noção do tamanho de um e outro. Deve ter gente se perguntando como que eu dirijo, né? Pois é, até eu tenho essa dúvida. Mas acontece alguma coisa quando eu dirijo, e por alguma razão eu tenho o mínimo de noção, sim. Não adoro fazer balizas, isso é fato, não só porque eu nunca sei o quão pouquinho mais eu posso ir, mas porque entra outra lanice aí, que é o fato de eu ser neurótica e querer ficar arrumando o carro até ele estar perfeitamente estacionado. Mas com exceção de uma vez só, logo que eu tinha tirado carta, nunca fiz coisas como arranhar o retrovisor e dar batidinhas no carro da frente ou de trás. Na verdade, nunca bati o carro. Isso me faz acreditar que não sou um caso perdido. De qualquer forma, confesso que fico preocupada em como serei quando tiver um filho, fato que obriga a gente a carregar 14 coisas ao mesmo tempo no colo, no ombro e nas costas, incluindo o bebê. Mas mais pra frente eu penso nisso.

      *   Nunca fui de ter apelidos, até porque meu nome não colabora. Quando eu era pequena, os meninos da escola e da igreja me chamavam de Lama. Eu corria atrás dos meninos da escola e batia em todos com a minha inesquecível (não só pra mim como pra vários deles) lancheira amarela dos Ursinhos Carinhosos. Eu devia ter guardado essa lancheira, acredito que ela tinha poderes sobrenaturais... Nos meninos da igreja eu batia quando possível. Quando não tinha jeito, achava que ignorar e parar de falar era uma boa medida. Evidente que nem sempre funcionava...
          Minha prima Má me chama de bicho de pé. Nunca entendi porque, mas eu deixo porque faz parte da nossa comunicação. Como forma de vingança, adotei pra ela o apelido de lagartixa.
          Durante vários anos da minha adolescência também fui chamada de draga. Acho que isso fazia algum sentido, embora eu não fique muito satisfeita ao admitir. Algumas ocasiões em especial, como as idas anuais ao esplêndido restaurante de frutos do mar da minha grande amiga Vanessa, quando eu podia comer camarão de verdade de graça, e o Natal, quando depois de esperar pelo ano todo eu finalmente podia (ainda posso) comer Chester, Tender, farofa da minha mãe e pêssego em calda até me entupir, ressaltavam mais os motivos que levaram meus amigos a me darem este apelido.      
          Desde o surgimento de “Procurando Nemo” sou chamada de Dory, também. Nunca apresentei qualquer tipo de resistência à esse apelido porque de fato ele faz muito sentido. Ganhei até uma Dory de pelúcia da minha amiga Thâmara, e gosto muito dela. No entanto, devo fazer uma observação: eu tenho memória de peixe, é fato, mas em algumas ocasiões eu tenho uma memória extreeeeeeeeemamente detalhada e precisa. Óbviamente que esse evento é imprevisível, senão eu usaria a meu favor! Mas não é nada previsível, e isso aliás até me irrita. Sinto que minha memória gosta de se juntar aos meus amigos na arte de tirar sarro de mim e por causa disso eu vivo me lembrando de certos assuntos com uma riqueza de detalhes completamente dispensável, enquanto me esqueço de outros muito mais importantes, como por exemplo, lembrar de uma combinação boa de roupa que me veio à cabeça em uma madrugada qualquer de insônia. Minha falta de memória me prejudica em várias situações: minhas amigas tem que contar as mesmas histórias de novo (nem sempre, ok, mas várias vezes)(e eu sempre JURO que nunca tinha ouvido a história), as coisas que me emprestam ficam guardadas comigo até eu receber ultimatos de devolução, às vezes me lembro de já ter assistido algum filme só quando os letreiros finais dele estão subindo na tela, já deixei roupas na máquina por 2 dias, e por aí vai...
          Por último, alguns amigos me chamam de Mandi-chorão, um peixe anti-social que solta chiados insuportáveis quando é preso, e tem 3 ferrões cobertos de substâncias tóxicas que causam muita dor em quem leva a ferroada. Francamente, ainda não consegui fazer a ponte entre esse último apelido e eu...

*   Falando em peixe, vou falar de bichos. Eu não sou uma pet-lover, não. Não tenho nada contra os bichos (exceto os cachorros, que eu não gosto mesmo), só não sou aquele tipo de pessoa que é fissurada em animal de estimação. Dizem que é porque eu nunca tive um, mas eu já tive, sim. Tive a Pompom, coelhinha grande, gorda e que comia todo o quintal da minha casa quando eu era pequena. Eu tinha medo da Pompom e tinha um comportamento bizarro que só meus irmãos sabem imitar quando ela aparecia na minha frente, mas eu gostava muito dela sim, e fiquei sentida por ela não poder se mudar pra Campinas junto com a nossa família. 
          Quando estava na faculdade, cursando a matéria sobre o Behaviorismo, cada um da minha classe teve que “adotar” um ratinho no laboratório pra aprendermos a condicionar o comportamento. Eu escolhi o Sig (de Sigmund), um ratinho albino e cego. Ninguém queria ele, só eu. Eu achava (e acho até hoje) que fui uma mãe adotiva muito dedicada e preocupada com as necessidades dele, mas um dia a professora me informou que ele havia falecido em função da obesidade. Tá certo que eu achava que ele merecia alguma espécie de compensação pelo fato de ser cego e ter portanto mais dificuldade de encontrar a comida que os outros, o que me fez colocar um pouco de comida em outros lugares da jaulinha dele que não apenas no recipiente destinado à isso, e que notei um pequeno ganho de peso nele. Mas nem acho que foi tanto assim a ponto dele se tornar obeso, não. Fiquei muito triste com o falecimento dele. 
          Alguns anos depois, quando eu trabalhava no departamento de Recursos Humanos corporativo da C&A, ganhei das minhas colegas de trabalho um peixinho. Elas diziam que quem trabalhava no RH de lá, precisava conseguir cuidar de um bicho. Algumas delas tinham um peixinho E uma planta na mesa, o que eu já considerava uma grande evolução, já que cuidar dos dois ao mesmo tempo não é nada fácil. Dei ao peixinho o nome de Frederico, e ele ficava olhando pra mim enquanto eu trabalhava. Como minha jornada era somente de 2ª a 6ª, o Frederico ficava sozinho no sábado e domingo. Isso significa que ninguém trocaria a água dele (eu fazia isso diariamente, e nem vou comentar aqui sobre as complicações de colocar um peixe num saco cheio de água e depois colocá-lo de volta no aquário sem que ele cometesse qualquer ação suicida), e principalmente, que ninguém o alimentaria nestes dias. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de preocupação com um ser cuja responsabilidade de cuidar está com ela pensaria numa estratégia para que o peixe não morresse de fome. Procurei por funcionários que trabalhassem no final de semana, mas não encontrei. Sendo assim, comprei um potinho especial, coloquei dentro do aquário, e toda 6ª feira eu abastecia o potinho pra garantir a comida do final de semana. Um dia, cheguei para trabalhar e com muita tristeza no coração, constatei que o Frederico havia chegado a óbito. Minhas colegas me disseram que eu colocava muita comida para ele mas eu não acredito que isso seja verdade, ele apenas precisava de comida para o final de semana! Acho que elas disseram isso só pra tentar colocar peso na minha consciência. Não adiantou, porque até hoje acredito que tanto o Sig quanto o Fred faleceram de causas desconhecidas. 
          Depois de tantos traumas, decidi não ter mais bicho algum. É triste, a gente se apega e acontece isso. Agora tenho plantas na minha sacada. Elas exigem um cuidado bem parecido com o dos animais. Freqüentemente me preocupo com a necessidade de água delas. Não deve ser fácil viver de água... Eu mesma já tentei e não consegui mais do que 1 dia, por isso acho que o mínimo que eu faço é deixá-las bem abastecidas. Estou orgulhosa de mim mesma, pois em 1 ano e 3 meses, apenas 3 plantas não resistiram.  Isso significa que estou no caminho certo, e acho que nasci pra cuidar de plantas, não de bichos. Recentemente o Henrique começou a se preocupar com a alimentação das minhas plantas e simultaneamente decidiu se engajar na campanha contra a dengue. Desde então, minhas plantas não tem mais bebedouro. A parte boa é que posso dar bastante água pra elas durante o dia, porque até ele chegar em casa o piso da sacada já secou e ele nem vê o quanto eu coloquei.

     Uau! Acabei de ver que estou na 5ª página no Word! Também já (ou só, não sei...) escrevi sobre 5 lanices! Ainda tenho uma lista muito grande, que como eu acho que já disse, anotei no bloco de notas do meu celular. Ok que esse espaço, antes de ser pros outros, é pra mim, porque eu gosto de escrever. Mas sei também que muita gente, por consideração ou gentileza, passa por aqui e se dá ao trabalho de ler esses textos imensos que eu escrevo. Desta forma, decidi não ser completamente arbitrária e dar a vocês a chance de dizer se é muito chato ler sobre as minhas lanices, se eu escrevo demais, se eu deveria postar uma lanice de cada vez, ou se eu deveria escrever sobre qualquer outro assunto, menos esse. Agradeço sinceramente pelas respostas, até porque estou começando a ter aquela sensação de estar falando sozinha, que nem quando a gente grava recado em secretária eletrônica.
     
    Beijo, tchau.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Minha vida em uma música

Tenho uma ligação muito, muito forte com a música. Essa ligação não se deve somente ao fato de minha mãe ser uma pianista e regente, todos os meus irmãos serem músicos profissionais e eu mesma já ter sido uma violinista, nem ao fato da música fazer parte da minha vida, do meu cotidiano. Vai muito além disso.

Minha ligação com a música é uma ligação de alma, algo visceral. Nada, absolutamente nada me toca tão profundo, me alcança tanto, quanto a música. A música fala comigo, e eu converso com ela. A música me entende, me acolhe, me aquece, me anima, me diverte, me abraça, me alegra, me repreende, me sensibiliza, me endurece... Incontáveis vezes ela consegue contar através de suas letras os meus sentimentos, meus pensamentos, quem eu sou, do que eu preciso, do que eu gostaria. Coisas que eu mesma não consigo dizer. A música vai até o meu coração de um jeito que nada mais vai.

Muitas músicas preferidas me acompanham ao longo da vida, em diferentes fases e circunstâncias. Nunca sei dizer qual é a minha número 1 e acho que ela não existe, mesmo. No meu coração, todas as minhas preferidas podem ter o 1º lugar. Dentre elas, tem uma muito especial e eu resolvi dividir aqui. Ela vale a atenção de vocês, acreditem.

Conheci “Both Sides Now” em 2003, através da cena do filme “Love Actually” em que a personagem Karen (Emma Thompson) conclui que seu marido Harry (Alan Rickman) está traindo-a. Karen, sozinha, reflete por segundos nessa dolorida constatação e as lágrimas escorrem enquanto ela ouve a primeira canção de seu presente de Natal. Ao fundo, a voz de Joni Mitchell caracteriza perfeitamente todo o peso e a dor do momento. Logo que terminei de ver o filme, fui atrás da letra. Quando encontrei, tive a sensação de ler a minha vida e meus pensamentos sobre ela através dessa música. Foi um encontro muito forte. A interpretação de Joni Mitchell triplicou o peso desse encontro, e desde então, essa tem sido uma das músicas da minha vida. Ela tem me acompanhado por quase 8 anos, e eu gostaria muito de levá-la comigo para o resto da vida. Cada vez que escuto, cada ano, cada época, cada momento da minha vida dou um significado diferente à ela, mas sempre concordando e me surpreendendo com o quanto ela fala sobre mim.

Joni Mitchell gravou “Both Sides Now” pela primeira vez em 1969. Gravou-a novamente em 2000, e o peso dos anos vividos entre uma gravação e outra fez uma diferença brutal na interpretação da música. Cantar estas palavras aos 57 anos é muito, mas muito diferente do que fazer isso aos 26, e acredito que essa diferença tenha sido crucial pra fazer dessa regravação um conjunto perfeito de letra + melodia + interpretação. Ouvi Joni Mitchell dizer num documentário que ela se emocionou muito ao regravar esta música, que foi uma experiência muito forte. Percebo perfeitamente na voz dela que foi mesmo, e talvez esse seja apenas mais um dos motivos que fazem com que essa música me emocione tanto. 

Com vocês, portanto...


BOTH SIDES NOW
Joni Mitchell

Rows and flows of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere
I've looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and they snow on everyone
So many things I would have done
But clouds got in my way

I've looked at clouds from both sides now,
From up and down, and still somehow
It's cloud illusions I recall
I really don't know clouds at all

Moons and Junes and ferries wheels
The dizzy dancing way that you feel
As every fairy tale comes real
I've looked at love that way

But now it's just another show
And you leave 'em laughing when you go
And if you care, don't let them know,
Don't give yourself away

I've looked at love from both sides now,
From give and take, and still somehow
It's love's illusions that I recall
I really don't know love
I really don’t know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say "I love you" right out loud
Dreams and schemes and circus crowds,
I've looked at life that way

Oh but now old friends they are acting strange
And they shake their heads, and they tell me that I've changed
Well something's lost but something's gained
In living every day

I've looked at life from both sides now,
From up and down, and give and take, win and lose, and still somehow
It's life's illusions that I recall
I really don't know life at all

It's life's illusions that I recall
I really don't know life

I really don't know life at all…

domingo, 12 de dezembro de 2010

História de Amor



     "As segundas-feiras nunca mais foram as mesmas desde aquele telefonema do dia 16 de fevereiro de 2009. Uma amiga insistiu: “Lana, atende, que pode ser o seu The One...” - e era. Desde então, não menos do que 2h por dia nos falamos ao telefone durante uma semana: filmes, seriados, músicas da vida, tudo era assunto e tudo sorrisos de descoberta e encantamento. Não foi coincidência termos sido apresentados um ao outro por um amigo em comum carinhosamente apelidado de 'Sorriso'. 
     Do primeiro almoço no Seo Rosinha seguiu-se uma guerrilha implacável de mimos, flores, chocolates, pacotes gigantes de cheetos e fandangos conquistadores. Assim, em 6 de março, numa noite de estréias, Henrique pela primeira vez assistiu a um concerto da OSESP e, após uma margherita da Speranza, Lana pela primeira vez pediu alguém em namoro. 
     Dificilmente alguém já viu um casal mais conversador e companheiro do que nós, mais apaixonado por sessões intermináveis de filminhos no sofá, por descobrir juntos lugares e comidinhas diferentes assim como por repetir dias a fio o mesmo menu de pizza. Nosso primeiro passeio foi pra São Roque, com direito a picolé de mãos dadas e centenas de fotos repetidas; em seguida veio Campos do Jordão (levada de surpresa), onde vasinhos de flores foram a primeira compra para nossa futura casa, assim como um chapeuzinho vermelho prometido pro próximo passeio: nossa lua-de-mel em Paris. 
     Já devem ter imaginado: foi assim que, numa noite estrelada de 22 de agosto no Terraço Itália, Henrique se ajoelhou para pedir a mão de Lana em casamento, e os sorrisos nunca mais foram embora."


[12/12/2009 = 1 ano hoje!]



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sentindo falta

     
     Uau, quanto tempo faz desde a última vez que postei...Mais de 4 meses...
    
     Sinto falta de escrever aqui. Não que eu postasse com freqüência ou já estivesse muito acostumada, pelo contrário: o blog é novo, vocês sabem. Mas como eu contei no primeiro post, já fazia tempo que eu tinha vontade de ter um blog, de escrever com mais freqüência (sempre gostei de escrever mas perdi consideravelmente a prática nos últimos anos...), e demorou muito tempo até eu fazer o meu. Quando finalmente fiz, o tempo pra escrever nele foi-se embora. Acho mais justo, portanto, dizer que eu sinto falta de escrever as coisas que não estou escrevendo, se é que alguém consegue me entender...
    
     De modo geral, o tempo em que vivo ultimamente tem sido um tempo de sentir falta. Não diria que estou saudosista porque não se trata de recordações do passado, não. A falta que sinto é a falta de coisas que no momento não posso fazer, não posso pensar, não posso procurar, não posso falar, não posso viver, não posso curtir, não posso sonhar.

     Ainda assim, continuo crendo na existência do tempo para todas as coisas e tentando manter a minha esperança de que o socorro virá. E quando eu digo que continuo crendo, não tem aí hipocrisia nenhuma e nem muito menos a intenção de ter aquela postura de que "nada abala a minha fé pque eu SEMPRE estou crendo". Admiro não quem fala que é assim, mas quem não precisa falar e simplesmente É, simplesmente crê sempre, acima de tudo. Mas eu não sou assim, não...Sinto que às vezes minha já pequena fé fica menor ainda, quase invisível, e o tamanho da minha esperança fica tãããão menor que eu tenho a impressão de que ela não vai servir pra nada...

     Daí entra minha "santa" mãe na história e me manda esse lembrete hoje:

Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele mesmo lhes providenciará um escape, para que o possam suportar. 1 Coríntios 10:13

     Junto com o lembrete, ela mandou também um vídeo muito bonitinho. Não sei quem aqui lembra ou conhece essa música (em português), mas eu ouvi muuuuuuuito meus pais cantarem pra mim em vários momentos da minha vida e fiquei emocionada de ouví-la hoje, em especial (confesso que não me lembrava mais dela...).


      
      Até o próximo post, que espero eu, não leve tanto tempo pra vir!

P.S. Nossa, é muito gostoso esse negócio de comentários das pessoas, né? Só agora eu entendo quando pessoas agradeciam o carinho de outros através dos seus blogs...Mesmo fazendo 4 meses que eu não posto nada, semana passada chegou no meu e-mail um comentário super bonitinho deixado por uma pessoa aqui que eu nem conheço. Achei tão legal...




terça-feira, 3 de agosto de 2010

Comemorando o início de tudo


Coincidentemente ou não, meu primeiro post propriamente dito é pra falar de uma data muito especial referente às minhas origens: os 45 anos de casados do meu pai e da minha mãe.

Eu podia ficar um tempão aqui contando de todas as minhas fases da vida em relação a eles, especialmente as mais difíceis e bizarras, como a fase em que eu era revoltada com tudo que eles eram e faziam, ou quando eu tinha vergonha de ter que pedir tudo pros dois, ou quando eu tinha certeza de que não precisava deles pra nada. Tudo bobagem. Fases da vida, mas bobagem. Prefiro falar do que eles são hoje pra mim: motivo de muito orgulho, uma referência do que é ser um cristão íntegro (cá entre nós: é cada vez mais RARO podermos definir um cristão com essa palavra, integridade...), um exemplo de dedicação incondicional às coisas de Deus e um modelo de casamento, de amor que pra mim parece utópico, impossível, mas que é real na vida deles, que muito me influenciou em todos os valores que tenho hoje sobre família, e que é hoje uma das maiores fontes de aprendizado pro meu próprio casamento. Eu sinto muito por todos os anos em que não soube reconhecer todas estas coisas neles, e às vezes penso até se não reconheço demais hoje em dia. Não, não é que eu ache que eles são perfeitos. Eles são pessoas, e como pessoas erram e erraram muito; são pais, e como pais erraram muito. Mas hoje eu acho que as coisas que eles têm de bom são tão, mas tão importantes, e infelizmente tão incomuns, que eu confesso que eu falo deles com o olho cheio d’água, de tão privilegiada e abençoada que sinto por tê-los como meus pais. Volta e meia alguém me diz: “Seu pai/sua mãe vale ouro, você não tem idéia...”. Hoje eu tenho idéia, sim. Valem muito mais que isso, aliás...

Nossa família nem sempre pode estar reunida pois moramos em cidades diferentes. A última vez em que estivemos todos juntos foi em 2006, quando meu irmão mais velho Marconi e minha cunhada Míriam, que moravam em Goiânia, passaram em Campinas pra nos despedirmos pois eles estavam indo morar nos Estados Unidos. Desde então, conseguimos estar todos juntos somente quando meu irmão Benoni, cunhada Mirtes, princesas Cacá e Lulu, eu e meu maridinho Henrique vamos todos pra Campinas, já que moramos em São Paulo. Às vezes só a família do Beno pode ir, às vezes só a nossa. E ainda tem que coincidir do meu irmão Ernani, o mais novo, não ter que tocar em nenhum lugar. Portanto, nem sempre dá. E eu, particularmente, gosto demais de quando estamos todos juntos, mesmo faltando o pedaço da família que está nos EUA. Os anos têm melhorado nossa convivência, e é cada vez mais agradável estarmos em família. No final do ano, o sábado anterior ao meu casamento foi um dia que me marcou muito: ficamos horas e horas espalhados pela sala, todos nós. Contamos histórias, falamos do casamento, o Erni tocou com o Beno a música que ele havia feito pra minha entrada pela 1ª vez, e ficamos ali, emocionados e juntos. Até as meninas, que às vezes são naturalmente irrequietas, ficaram sentadinhas no sofá ali conosco. Momentos que a gente sabe que nunca vai esquecer.

Esse final de semana, mais especificamente o sábado à noite, foi bem parecido com aquele sábado. Meu pai havia pedido que nos arrumássemos e estivéssemos todos na sala às 18h30. Minha mãe, como sempre faz quando vai sair com meu pai pra comemorar alguma coisa, ficou me pedindo sugestão de roupas, de brinco, de sapato...muito bonitinha. Um casal de amigos lembrou do aniversário de casamento deles, resolveu dar uma passada pra cumprimentá-los e chegou quase em cima da hora. Casa de pastor não tem jeito, sempre rola uma visita...Mas acabou dando tempo, e a parte boa é que eles puderam tirar uma foto de todos nós! Depois que eles foram embora, ficamos todos ali na sala e meu pai queria nos contar com detalhes todo o começo da história deles. É claro que a gente já ouviu e já ouviu várias vezes, mas ele tava com uma carinha tão feliz, querendo tanto contar e relembrar, que não tinha como não ficarmos ali de bom grado, ouvindo novamente e curtindo o momento. Depois, meu pai queria que meus irmãos tocassem uma música de casamento. Ele escolheu “Pompa e Circunstância”, uma música antiga de casamento que eu nem sei mais se é tocada hoje ainda...Mas foi muito gostoso vê-los tocando, eu gosto muito quando isso acontece. Coloquei até um vídeozinho pra vocês verem. É um privilégio ter uma família de músicos, e a música sempre faz parte dos nossos momentos mais especiais. Depois, fomos todos à uma cantina que gostamos muito, Fellini. Comemos uma ótima comida, demos risada, cantamos “Parabéns” quando todos os garçons vieram cantando e trazendo um bolo de surpresa que a casa ofereceu, e encerramos a noite comendo um outro bolo delicioso de pão-de-ló, morangos e chantilly (de verdade) que minha mãe havia feito e as princesas enfeitaram. Tudo junto, tudo em família, a nossa família Trapo.

Parabéns aos meus pais, que viveram e vivem um casamento tão bonito, forte e admirável. Parabéns por deixarem o exemplo falar mais alto que as palavras, e através desse exemplo terem criado em mim a certeza de que sim, é possível ser muito feliz com a pessoa que a gente ama!

(pra completar a homenagem e a comemoração, fiz esse post comendo mais do bolo!)


Obs.: Vamos lembrar que embora eu ame fotografia, este não é um blog de fotografia nem muito menos de uma fotógrafa. As fotos que coloquei são só uma forma de contar em imagens o que escrevi, e neste caso sei que nem estão tão boas, porque a luz lá da sala dos meus pais é bem complicada. Por isso, quem quiser ver fotos bem tiradas é só entrar em um dos vários blogs bons que eu sigo! Rsrs...














segunda-feira, 26 de julho de 2010

Finalmente!

Olhem só, que coisa...Depois de anos e anos relutando, finalmente decidi fazer isso aqui!
Só o tempo que está me tomando pra entender como deixar num layout que eu quero (que ainda não é esse), já me deu vontade de desistir. Mas eu sempre fuço, apanho, acabo descobrindo, e também seria muita falta de persistência desistir agora.
O objetivo desse blog? Não tem grandes pretensões, não...Como diz na descrição aí ao lado, é só um espaço pra registrar coisas úteis e inúteis também. Coisas minhas.
É, também, mais um jeito de eu garantir que terei algumas lembranças, já que não posso contar muito com a minha memória.
Pois bem, vamos ver no que vai dar!

Seguidores